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Num mundo dual como o nosso, escolhemos valores que melhor possam orientar nossas escolhas e contribuir para “tecer” uma vida com significado.  Por ser dual, conseguimos identificar ao menos dois “sistemas” de valores. Essa diversidade de “olhar” contribui para enriquecer, nossa visão de mundo ou, no mínimo, contribui para refletirmos sobre nossa coerência e congruência dentro do sistema escolhido.

Em tempos de redes sociais, seremos  cada vez mais expostos e questionados por nossa coerência. Talvez possa ter muitas visões de mundo mas ao menos duas visões podemos identificar. Elas parecem ser complementares mas como são distintas nos orientam de forma diversa para “navegar” no mundo. Em função de vários fatores e escolhas pessoais nos descobrimos dentro de um destes sistemas de navegação, vejamos:

Para muitos de nós, a liberdade é o maior bem, com foco em nossa ação como indivíduos queremos escolher livremente mas como vivemos em sociedade, a liberdade precisa ser norteada pela ética (evitando a libertinagem e outros danos), bem como garantindo o espaço de aprendizagem, a expressão da individualidade do outro. Nesta forma de ver as coisas, uma das fortes crenças é que colhemos, quando plantamos e assim, a produtividade é fator fundamental. Nos vemos como parte de uma grande história, buscamos aprender com os filósofos clássicos, observando que há uma sabedoria que permeia nossa humanidade, assim, buscamos conservar os valores que nos foram passados, em especial: o valor da vida, da liberdade e da garantia que se possa usufruir do que se “plantou”. A vida é vista como um eterno aprender para se alcançar o paraíso, que estaria em uma outra “morada”. Temos uma essência divina já presente mas é nossa livre escolha manifestá-la ou não, uma decisão do indivíduo, no seu tempo. Alcançar a plenitude da felicidade, da serenidade ou ainda a iluminação é o objetivo último e é impulsionado pela presença de um professor ou mestre, alguém que mostre o caminho – aqui se acolhe a hierarquia. O grande objetivo sendo a transcendência, até mesmo para evitar  o egoísmo que a individualidade possa incentivar, a busca pelo servir é uma ferramenta para fortalecer a espiritualidade. Talvez esse seja o “mundo Yang” – firme, compenetrado e voltado para o “dever”, que necessita da reflexão para equilibrar sua impulsividade.

Há um outro olhar, como que um “outro mundo”, que tem por base a Igualdade, afinal somos todos seremos humanos, numa única grande “aventura”, inexoravelmente conectados. E essa coletividade deve nortear o uso dos recursos e mesmo do meio ambiente, uma ação boa para todos é boa para suas partes.  Aqui a solidariedade é a base para as tomadas de decisão, toda contribuição é válida pois enriquece o todo. O respeito é a pedra para que o coletivo se fortaleça na expressão de cada um, caso contrário, pode promover posturas impositivas e restritivas. Assim, a criatividade e a diversidade são valores primordiais, para um todo equilibrado e harmônico. Acredita-se que somos a expressão do belo e do bom em contínua evolução, nosso desafio é aceitar isso, não em outro lugar mas aqui e agora. Para tanto, o desafio é termos ações afirmativas– que garantam a diversidade, a criatividade, o acolhimento do outro, tal como ele é. Onde decisões colegiadas e consensuais promovam a expressão da igualdade e aceitação. Talvez esse seja o “mundo Yin” acolhedor, diverso e voltado para o “direito”, que necessita da ação para equilibrar sua passividade.

Qual dos dois mundos é mais belo ou mesmo mais nobre? Difícil resposta, talvez seja como escolher entre o dia e a noite, ou entre o frio e o quente.  Temos nossas preferências mas precisamos de ambos. Uma tensão positiva que nos cobra congruência e equilíbrio. Ainda que não se misturem, essas visões de mundo tem nos garantido enormes ganhos como humanidade. Seus embates tem nos impulsionado, temos mais qualidade de vida, mais longevidade e menos guerras, pelos atritos estabelecidos entre essas duas visões.

Essa dualidade talvez seja inerente à condição humana que todos partilhamos, talvez a sabedoria resida em compreender e entender que nossa contribuição está em fazer nossa melhor entrega conforme nossa visão de mundo, de forma congruente e evitando as “armadilhas” que cada perspectiva reserva. Afinal, o Yin e o Yang não se misturam, e o “pêndulo” tende a ir de um lado para outro, é sua natureza. E podemos aprender a “saborear” esse movimento para melhor nos conhecer e crescer.