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Usualmente quando falamos sobre liderança, imaginamos pessoas muito comunicativas, criativas, que trabalham bem em equipes e por vezes, resumimos dizendo: extrovertidas. Ser extrovertido virou característica imprescindível para o sucesso. Mas o que é mesmo uma pessoa extrovertida?

Segundo  Susan Cain ( O Poder dos Quietos), o típico extrovertido é a pessoa que prefere a ação à contemplação, a tomada de riscos à cautela, a expressar certeza à dúvida. Ele prefere as decisões rápidas, mesmo correndo o risco de estar errado. Ela trabalha bem em equipes e socializa em grupos. Extrovertidos tendem a terminar tarefas rapidamente. Eles tomam decisões rápidas (e às vezes drásticas) e sentem-se confortáveis com muitas tarefas ao mesmo tempo. Gostam da “excitação da caça” por recompensas como dinheiro e status.

Introvertidos são atraídos pelo mundo interior do pensamento e do sentimento, disse Jung. Focam no significado que tiram dos eventos ao seu redor; extrovertidos mergulham nos próprios acontecimentos. Introvertidos recarregam suas baterias ficando sozinhos. Muitas vezes trabalham de forma mais lenta e ponderada. Eles gostam de se focar em uma tarefa de cada vez e podem ter um grande poder de concentração. São relativamente imunes às tentações da fama e fortuna.

Extrovertidos são pessoas que darão vida ao seu jantar entre amigos e rirão generosamente de suas piadas. Eles tendem a ser assertivos, dominantes e necessitam muito de companhia. Extrovertidos pensam em voz alta e rapidamente; preferem falar a escutar,

Os introvertidos, por outro lado, podem ter várias habilidades sociais e gostar de festas e reuniões de negócios, mas depois de um tempo desejam estar em casa de pijamas. Eles preferem devotar suas energias sociais aos amigos íntimos, colegas e família. Tendem a não gostar de conflitos. Muitos têm horror a jogar conversa fora, mas gostam de discussões profundas, fazendo uso generoso de perguntas

Como Jung acertadamente colocou, “não existe introvertido ou extrovertido puro. Introversão e extroversão interagem com nossos outros traços de personalidade e histórias pessoais, produzindo tipos de pessoas radicalmente diferentes. E como muitos já devem ter percebido, há vantagens e desvantagens nos dois lados. Mas qual o risco?

Hoje valorizamos de forma acentuada somente um deste lados. Quando ouvimos: “Queremos atrair pessoas criativas”, de uma diretora de recursos humanos de uma empresa de mídia. E temos por explicação que “criativo”, quer dizer: “… simpático, divertido e empenhado para trabalhar.”, observamos que não há espaço para a criação profunda e conectiva.

Nossa percepção é de que pessoas falantes são mais inteligentes que as quietas. Também ajuda falar rápido; consideramos falantes rápidos mais capazes e atraentes que aqueles que falam devagar. Tudo isso não teria problema se mais falação fosse correlacionada a melhores ideias, mas pesquisas sugerem que tal ligação não existe.

Segundo Jim Collins (autor do clássico, Feitas para Durar), muitas das companhias de melhor performance do fim do século XX foram administradas pelo que ele chama de “Líderes de nível 5”. Esses excepcionais presidentes executivos são conhecidos não pelo brilho ou pelo carisma, mas pela extrema humildade combinada com uma intensa vontade profissional.

A reflexão é: o quanto como gestores estamos permitindo ser “seduzidos” pela fala entusiasmada e extrovertida de algum colaborador em detrimento das colocações ponderadas e assertivas de um colaborador introvertido? O quanto ao buscar “empolgar” a equipe, terminamos por não dar tempo ou espaço para que eles possam dar sugestões, em função de nossa alegria extrovertida? Como gestores, o desafio é conhecer a nós mesmos e buscar extrair dos demais, seus melhores talentos. Pense nisso!