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Fraternidade, Igualdade e liberdade e seu impacto nos negócios.

Kouzes e Posner relatam que uma pesquisa realizada com mais de 20.000 pessoas em 4 continentes diferentes afirmam que das 4 principais características de um bom líder, honestidade é a primeiríssima. Onde se interpreta como uma pessoa confiável, ética e integra. A integridade é a base da liderança e quando o indivíduo busca alinhar seus valores e talentos na busca de uma melhor forma de servir, o empreender ganha uma nova dimensão.

Ao falarmos sobre a tríade de valores: liberdade, vida e propriedade privada pode soar um tanto quanto individualista, em especial no contexto onde surgiram, com um forte objetivo de defender a liberdade de cada um professar sua fé. E surge um pouco depois, no final dos anos 1780, uma revolução que enfatizava outra tríade de valores: liberdade, fraternidade e igualdade.

A liberdade de fazer parte de um grupo, uma nação, um todo. A igualdade pois todos são dignos de terem acesso aos mesmos direitos. Membros de uma mesma espécie, iguais. E por fim, por sermos iguais, caberia exercitar a fraternidade, o suporte mútuo para garantir um “céu na terra”.

Este conjunto de valores movimentou a Europa desde então, sob diversas formas, nomes e estratégias, conquistando corações e mobilizando forças por vezes de forma tão trágica quanto na Revolução Francesa ou na Revolução Russa ou mesmo na Guerra Espanhola. E ainda em nossos dias, modela os pensamentos e ações de muitos e a consciência desta forma diversa de ver o mundo, levou nosso país a uma recente polarização de ideias.

Meu olhar neste artigo é questionar estes dois conjuntos de valores sob o prisma do empreendedorismo e da liderança. Quais riscos em cada uma destas vertentes ao conduzir negócios?

Na primeira perspectiva, onde o tripé é liberdade individual, vida e propriedade, há outros valores que se alinham aqui: meritocracia, ética, foco na produtividade e convivência com a hierarquia. É comum nesta abordagem a percepção que há escassez e é necessário o esforço para gerar valor. O desafio nesta perspectiva é exercitar a generosidade para equilibrar uma tendência egoísta e individualista de ver o mundo. Historicamente esta busca vem ocorrendo pelo cultivo da espiritualidade e o fomento do anseio por servir.

Na outra abordagem, cujo tripé é fraternidade, igualdade e liberdade de se estar em grupo, o foco é o coletivo, onde valores como solidariedade, respeito à diversidade são relevantes, bem como a autogestão. É comum nesta abordagem a percepção que há abundância e é imperativo compartilhar. O desafio desta perspectiva é  exercitar a gratidão para equilibrar sua tendência à inveja e a tirania (ao observar que nem todos respondem ao convite da fraternidade, do compartilhar). Historicamente esta busca vem acontecendo por meio de ações afirmativas, às vezes colegiadas.

Estas abordagens, em grandes linhas, definem a forma como lidamos com o mundo, como buscamos tratar as pessoas e os recursos para alcançar os resultados que desejamos. No livro Cabala (do rabino Nilton Bonder), diz-se que  bons resultados acontecem quando as pessoas que estão negociando querem edificar suas interações e seus ganhos – numa postura tida como sábia. Nem todas são assim, há aquelas que querem cuidar somente de seus ganhos, uma postura mais egoísta, Bonder chama de perversa (podemos dizer que o foco é somente na produtividade, no mérito individual), as relações importam menos. Este grupo tem resultado mas de curta duração, seus negócios sofrem no longo prazo. Há ainda as que dão grande destaque para as relações interpessoais, primam por cuidar do coletivo, ser solidários e acolhedores, deixam em segundo plano os resultados, numa postura tola. Este grupo dificilmente tem resultados consistentes, tanto no curto quanto no longo prazo.

Tanto a postura perversa quanto a tola são instáveis e tendem ao nada, a terem seus negócios extintos.  O desafio de ambas é tornarem-se sábias. Podemos pensar em pegar um pouco de cada, mas seria como uma casa dividida, que sobre si cai.   Já vi alguns empresários falarem de sua empresa como uma família e num surto de raiva, demitir funcionários improdutivos. E verem os demais funcionários ficarem ressentidos pois não sabiam que produtividade era importante, que seguir um método era necessário. A coerência é tudo!

Entre a postura perversa e a tola qual é que mais tende a conseguir chegar na postura sábia? A perversa. Duro isso para uma cultura coletivista e relacional como a nossa. Para o “tolo” monitorar tarefas e cobrar produtividade soa como uma forma de agressão, fere seu conceito de autogestão. Possuem a crença que as pessoas querem trabalhar e partilhar.

Mas Weber já tinha observado no final do século XIX, que no período da colheita a rapidez na ação fazia toda a diferença. Mas mesmo com o aumento do ganho por quantidade colhida, não havia uma maior agilidade por parte de todos. Muitas pessoas querem trabalhar o suficiente para receber o mínimo necessário para viver. Estão erradas? Não, é sua liberdade. Obrigá-las é ser tirano. O que nos cabe?

Nos cabe selecionar aqueles que tem foco na excelência, utilizando métodos para isso, que querem produzir e gostam de ser mensurados e ganharem por sua dedicação e compromisso. Mas estas pessoas querem mais, querem ser felizes agora, trabalhando num lugar onde se sintam respeitadas, consideradas e onde possam contribuir para um todo melhor. Aqui está o desafio como empreendedor, ao lidar com a perspectiva “perversa” é lembrar-se do desafio de vencer o egoísmo, do exercício da generosidade e compaixão ( bons funcionários querem ser reconhecidos e mesmo estes tem seus dias ruins – querem ser compreendidos).

Como você tem vivido estas perspectivas? Como tem buscado ser autêntico, coerente?