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Protagonista ou vítima- o desafio da Árvore do Conhecimento.

Segundo Campbell, mitos são pistas para as potencialidades espirituais da vida humana.  Um legado deixado por nossos antepassados para guiar as gerações futuras nas questões eternas que contribuem para um melhor viver.

Um dos mitos que me chamam a atenção é o da criação do mundo segundo a bíblia. Usualmente somos ensinados sobre o terrível papel da mulher na queda da humanidade – Eva, não somente aceitou o fruto proibido ofertado pela serpente mas igualmente, convenceu o homem a também comê-lo. Lembro-me da angústia de ser “herdeira” e representante desta porção tida como pouco confiável e astuta.

Mas há outras considerações interessantes que cabe refletir. Sem o acesso ao conhecimento, seremos sempre infantis, sem uma visão mais ampla e sábia. Por que a árvore estaria ali? A natureza quer partilhar conosco seus conhecimentos e nos oferece isso e sim, isso trará uma mudança de “patamar” de nossa visão do mundo. E há uma porção em nós que anseia por esse “novo” que amplia a visão da vida e quer compartilhar esse ímpeto. Queremos crescer, empreender, liderar mas tudo isso demanda capacidade de enfrentar crises, enfrentar o desconhecido.  Mas com maiores “poderes”, maiores responsabilidades.

É interessante o olhar de Jordan Peterson quando foca na resposta de Adão. Depois que comeu do fruto do conhecimento, viu que estava nu, viu o outro nu  e teve medo. Quando perguntado por Deus o que tinha ocorrido, respondeu: a mulher me ofereceu o fruto e eu comi. Mas me chama a atenção que ao perguntar a mulher, Deus escuta resposta similar: a serpente me seduziu e eu comi. Ambos vítimas! Houve mais conhecimento, poder mas não houve mais responsabilidade, a coragem para assumir as escolhas feitas não estava lá – não foram protagonistas. Não é mais possível viver no lugar onde não há tempo, ou morte, ou mesmo nascimento – o paraíso. A expulsão era inevitável para que houvesse a possibilidade de se compreender as causas e consequências das escolhas e decisões tomadas. De quem é a culpa? Talvez caiba primeiro perguntar: culpa de quê? Não acredito que haja culpa em buscar novos horizontes, ampliar a compreensão, afinal porque Deus colocaria a árvore do conhecimento no centro do Jardim? Como o foco central? Quando somos jovens, sentimos igual ímpeto de questionar os dogmas e limites estabelecidos pelos pais, mas há culpa quando não se assume a responsabilidade pelas escolhas feitas.

Este mito nos revela que falhamos em não compreender quem somos. Certa vez foi dito que somos deuses, se vivermos como homens, mulheres, vítimas, “morremos” assim. Sem entender que nos cabe o protagonismo, a ação consciente e deliberada, que compreende as causas e efeitos, e que não há um outro culpado. Afinal, tudo somos nós!

Atuo na área de desenvolvimento de competências de liderança e empreendedorismo desde 2002, utilizando metodologias ativas que fortalecem a autorresponsabilização por meio de oficinas, palestras e cursos. Credenciada como facilitadora do Seminário Empretec e da ENAP (Escola Nacional de Administração Pública) há mais de dezoito anos. Sou formada em Engenharia Elétrica pela UnB, com formações em Gestão de Pessoas com base em competência, Coach (pela Sociedade Brasileira de Coaching) entre algumas outras. Entre clientes: Grupo InPress, Banco do Brasil, Sebrae Nacional, Sebrae DF, Sebrae AP, Sebrae MG, Almeida França Engenharia, IFCT/ Volta Redonda; CTIS, PGR, entre outros.